“As brincadeiras de Mirtes”

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“As brincadeiras de Mirtes”

Postado por adminhomologacaodij em 18/ago/2013 - Sem Comentários

 

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Mirtes era uma ratinha de pelo cinzento e olhinhos brilhantes e espertos.

 

Como todas as ratinhas de sua idade, Mirtes gostava muito de brincar. Mas, às vezes, suas brincadeiras eram de mau gosto, o que muito preocupava seus pais. Sabem o que ela costumava fazer só para divertir-se? – Assustava os outros! Pregava-lhes cada peça! E quando conseguia enganá-los bem, ria-se a valer!

 

Certa vez, em que acabara de chover, Mirtes saiu a passear, andou, andou… Nisto, avistou uma poça d’água. Então, foi direitinho para dentro dela! Brincou, brincou… De repente, – tibum! – escorregou e caiu de cabeça dentro do barro!

 

– Ai! Ai! Ai! – gemeu, limpando os olhinhos.

 

Depois, teve uma ideia. Sabem o que ela fez?… Deitou-se na poça e começou a gritar:

 

– Socorro! Acudam! Estou me afogando! Salvem-me!

 

Num instante surgiram ratinhos de todos os lados, prontos para salvar a amiguinha que estava se afogando. Sabem o que aconteceu? Quando eles chegaram bem perto, Mirtes levantou-se de um pulo e, atirando água nos companheiros, ria-se às gargalhadas e gritava:

 

– Enganei o bobo!

 

Os ratinhos ficaram indignados! Muitos queriam briga! E a travessa estaria em apuros, se D. Rata não tivesse aparecido.

 

– Ande! Para dentro! E tão cedo você não sairá! – disse a mamãe, muito zangada.

 

Mirtes só teve de obedecer. Quando a mãe franzia a testa, era porque estava zangada com Mirtes. Então, baixou a cabecinha e, tremendo de frio entrou na toca.

 

Mas que coisa! O dia estava lindo! E todos os ratinhos da vizinhança brincavam juntos bem em frente à sua casa. Brincavam de pegador, jogavam, dançavam,… E Mirtes, do cantinho onde estava de castigo, ouvia tudo, querendo muito estar lá também.

 

Os dias passaram e a ratinha teve licença para sair novamente. Então, recomeçaram os passeios e recomeçaram as travessuras.

 

Uma das brincadeiras prediletas era assustar os amiguinhos com o gato! Porque sabia que alguns ratinhos tinham medo do gato.

 

Mirtes, então, quando via os ratinhos brincando distraídos, gritava:

 

– Olha o gato!

 

Era uma correria daquelas! Os ratinhos tratavam de fugir tão depressa quanto as perninhas permitiam. E a travessa da Mirtes ficava a rir, rir,… até cansar.

 

Isso acontecia frequentemente. Toda a vez que Mirtes gritava – Olha o gato! -, os ratinhos corriam como doidos!

 

Um dia, todos estavam brincando em um galpão, quando avistaram uma tigelinha de milho em um canto.

 

– Que beleza! –disse um ratinho. – Vamos saborear aquele milho?

 

– Vamos! – concordaram os outros.

 

Ora, Mirtes gostava muito de milho, mas, infelizmente, ao ver o milho teve uma atitude egoísta:

 

– Vou dar um jeito de comê-lo sozinha.

 

E fazendo um barulhinho com umas palhas que estavam no chão, gritou:

 

– O gato! O gato!

 

Foi aquela bagunça porque alguns ratinhos tinham medo do gato! E o sentimento de pânico invadiu o ambiente fazendo com que todos os ratinhos fugissem. Até mesmo aqueles que não tinham medo do gato. E, Mirtes rindo da mentira que contou, foi calmamente saborear o gostoso milho.  Comeu, comeu, comeu… Chegou mesmo a cansar. Por isso, parou um pouco. Foi aí que ouviu um barulho. E, cheia de medo, olhou para trás e deu um grito horrível:

 

– O gato! O gato!

 

Sim, o senhor gato, que era um enorme e estava com fome, foi em direção ao milho. E, Mirtes, julgando pela aparência, ou seja, por seu tamanho, achou que ele queria comê-la.

 

Mirtes tratou logo de fugir. Mas quase não podia sair do lugar, tanto milho ela havia comido, não é mesmo? Então, escondeu-se o mais depressa possível e, depois, com muito cuidado para não ser vista, caminhou para o lado da porta. Mas, a porta fechara com o vento! E ela estava com a barriguinha tão cheia que não passava em nenhuma fresta! Foi então que, ouviu os ratinhos que brincavam do lado de fora do barracão e gritou:

 

– Socorro! Ajudem-me. O gato! O gato!

 

Mas, dessa vez, os ratinhos resolveram não dar importância aos gritos de Mirtes. Afinal, ela havia mentido tanto para eles, não é mesmo?

 

– Salvem-me! É o gato, de verdade! – gritava Mirtes, em desespero.

 

Mas ninguém dava importância aos seus gritos. O sentimento de medo invadiu Mirtes e, ela já não aguentava mais se arrastar de um lado para o outro. E, nem percebeu que o gato não estava atrás dela e sim comendo o resto de milho que havia no prato.

 

Nisto, achou um buraquinho e enfiou-se nele. Mas, que tristeza! De tão barrigudinha que estava, ficou presa e não podia ir para frente, nem para trás. Que aflição! Ficou entalada no buraco e, com a barriga cheia de milho, começou a se sentir mal. Então, reuniu forças e tornou a gritar:

 

– Mamãe, socorro, por favor, me ajude!  Estou ficando enjoada!

 

A sorte foi que Dona Rata passava por ali naquele instante e, ouvindo os gritos da filha, correu para lá. Com um forte puxão, conseguiu arrancá-la do buraquinho.

 

Mirtes chorava bastante!

 

– O gato estava quase me pegando e ninguém acreditou em mim – dizia ela ainda com medo e com muita dor na barriguinha e tontura.

 

Mas, mamãe explicou logo:

 

– Você é culpada minha filha! Como queria que acreditassem em você depois de tantas mentiras?! E a propósito, o gato não estava atrás de você. Você estava gritando, estava em pânico e nem percebeu que o gato nem estava atrás de você.

 

E, muito séria, Dona Rata concluiu:

 

– Foi uma boa lição! Espero que você se lembre, sempre, do que lhe aconteceu hoje.

 

A ratinha baixou a cabeça, envergonhada e entristecida. E pensou: minha mãe tem razão. Serie daqui por diante uma outra Mirtes e não farei nunca mais as coisas erradas que até então vinha fazendo.

 

E Mirtes, de fato, cumpriu a promessa. (*)

 

 

(*) Do acervo de histórias infantis do Departamento de Infância e Juventude da Federação Espírita do Estado do Rio Grande do Sul – com Adaptações.