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2 de fevereiro de 2014

Reformador – Edição de Fevereiro 2014

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“A educação da alma é a alma da educação”.1 O Espírito André Luiz, ao explicar o papel educativo da Doutrina Espírita, alerta-nos que “o Espiritismo expressa, antes de tudo, obra de educação, integrando a alma humana nos padrões do Divino Mestre”.1

Mediante os avanços científicos e tecnológicos evidenciados na atualidade, de amplitude incalculável, reconhecemos, no mundo moderno, lacunas representativas que nos convidam a uma ação efetiva. Trata-se da imperfeição moral que ainda se manifesta na Terra sob as mais variadas formas, tendo no egoísmo sua raiz nutridora.

O Espírito Irmão X, na mensagem Respondendo, do livro Cartas e crônicas, resume a polaridade existente entre o avanço científico e a melhoria moral do mundo, ao afirmar:

Há quem idealize arranha-céus, edificando-os sem dificuldade, há quem invente máquinas, as mais diversas, desde o trator pesado que derruba montanhas ao pequenino aparelho de cortar ovos, e há quem conduza a eletricidade aos menores recantos da vida, oferecendo repouso aos braços; contudo, não se sabe ainda como resolver as desarmonias da parentela, os enigmas das paixões animalizantes, as aflições do tédio, as predisposições ao suicídio e as aberrações da vaidade.2

Contudo, alerta-nos Emmanuel que “para essa mesma ciência pouco importa que o homem lhe use os frutos para o bem ou para o mal”,3 afirmando que “a ciência pode concretizar muitas obras úteis, mas só o amor institui as obras mais altas”:

Se a ciência descobre explosivos, esclarece o amor quanto à utilização deles na abertura de estradas que liguem os povos; se a primeira confecciona um livro, ensina o segundo como gravar a verdade consoladora. […]3

Inspirados em tais reflexões, indagamos: como está a consciência perante a ciência? Temos investido adequadamente na formação humana ou privilegiado apenas a informação?

Allan Kardec, ao perguntar aos Espíritos se o progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual (questão 780 de O livro dos espíritos), recebe como resposta a afirmativa:

“Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente”.4 No comentário à questão 917 da mesma obra, o codificador comenta a ação capaz de “curar” a enfermidade moral que nos assola, enfatizando que o progresso moral se dará pela educação, mas “não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem”.5

A perspectiva educativa da Doutrina Espírita torna-se evidente na medida em que se identifica o permanente convite ao autoaprimoramento, fornecendo à humanidade, por meio de suas obras básicas e subsidiárias, ricos elementos de reflexão e análise que não se reduzem à transmissão de conhecimentos, mas a um efetivo convite à transformação moral e social.

O Espírito Lins de Vasconcellos, enfatizando tal percepção, afirma que:

[…] Espiritismo e Educação são partes essenciais de um mesmo todo na sementeira do amor integral.6

A formação do homem de bem perpassa, nesse sentido, a construção de conhecimentos, porém, sem estacionar na informação, caminha no sentido de alcançar o coração e as mãos, potencializando a reforma íntima, as interações sociais e a transformação do mundo, em processo gradativo e progressivo de renovações de atitudes voltadas ao bem, balizadas na razão e fortalecidas na fé.

Conforme argumenta León Denis:

Não basta ensinar à criança os elementos da Ciência. Aprender a governar-se, a conduzir-se como ser consciente e racional, é tão necessário como saber ler, escrever e contar: é entrar na vida armado não só para a luta material, mas, principalmente, para a luta moral. […]7

A atenção e a preocupação com a formação integral de crianças, jovens e adultos nos remetem, no âmbito dos estudos educacionais, a reflexões e correlações com documentos que têm alcançado esferas e diálogos internacionais, como os decorrentes da divulgação do Relatório Delors, em 1996, elaborado por especialistas da educação, por filósofos e por decididores políticos de todas as regiões do mundo que compunham a Comissão Internacional da Unesco sobre a Educação para o século XXI. Ao apresentar os quatro pilares educacionais (aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser), o referido documento ampliou a concepção de aprendizagem e dos objetivos educacionais que permeiam o mundo da educação formal.

A perspectiva educativa da Doutrina Espírita abrange os referidos pilares, uma vez que se baseia na visão integral do desenvolvimento humano, sem se restringir a apenas um de seus aspectos. Vejamos:8

APRENDER A CONHECER

“Conhecereis a verdade e ela vos libertará.” (João, 8:32.)

O Espiritismo proporciona o “[…] conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra [….]”. Allan Kardec9

“Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da humanidade.” Allan Kardec10

“Em razão disso, importa reconhecer que o homem – cérebro de gênio e coração de bárbaro –, embora içado ao pináculo da grandeza material, ainda nem sabe ao certo o que não sabe, pois ignora a extensão da própria ignorância, ante a excelsa magnitude do universo de que é parte integrante.” Leopoldo Cirne11

APRENDER A FAZER

“Reconhece-se a árvore pelo fruto.” (Lucas, 6:44.)

Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? “Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças […].” Allan Kardec14

“[…] Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa andeira, mas suficientemente vivido , sofrido , chorado e realizado em nossas próprias vidas […]”.15

Bezerra de Menezes

“Ensinar, mas fazer; crer, mas estudar; aconselhar, mas exemplificar; reunir, mas alimentar.”15 Bezerra de Menezes

APRENDER A CONVIVER

“Fazei aos outros o que desejaríeis que eles vos fizessem.” (Mateus,7:12.)

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” (João,13:35.)

“[…] Dez homens unidos por um pensamento comum são mais fortes do que cem que não se entendam. […]” Allan Kardec16

“[…] A contribuição de Estêvão e de outras personagens desta história real vem confirmar a necessidade e a universalidade da lei de cooperação. E, para verificar a amplitude desse conceito, recordemos que Jesus, cuja misericórdia e poder abrangiam tudo, procurou a companhia de doze auxiliares, a fim de empreender a renovação do mundo.” Emmanuel17

Com base nas reflexões e fundamentações compartilhadas, compreendemos o convite à formação integral do ser humano e ao investimento incessante nas novas gerações, fortalecendo-as para a conquista do autoaperfeiçoamento e para a edificação do reino de Deus na Terra, por meio da solução dos Problemas do mundo, tal como nos apresenta Bezerra de Menezes, em bela e oportuna mensagem de mesmo título:

Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para exterminar o monstro do egoísmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.18 (Grifo nosso.)

Prossigamos, amigos, na tarefa de Evangelização de corações!

REFERÊNCIAS:

1 VIEIRA, Waldo. Conduta espírita. Pelo Espírito André Luiz. 32. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 42, Perante a instrução.

2 XAVIER, Francisco C. Cartas e crônicas. Pelo Espírito Irmão X. 14. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 24, Respondendo.

3 ____. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 5. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 152, Ciência e amor.

4 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 93. ed. 1. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2013. q. 780.

5 ____. ____. q. 917.

6 VASCONCELLOS, Lins. Educação e espiritismo. In: DUSI, Miriam. (Coordenadora Sublime sementeira: evangelização espírita infantojuvenil. 2. imp. Brasília: FEB, 2012. pt. 2, Mensagens, it. 22.

7 DENIS, León. Depois da morte. 28. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2013. pt. 5, O caminho reto, it. 54, A educação.

8 As citações evangélicas foram inspiradas na obra Reflexões pedagógicas à luz do evangelho, de autoria de Sandra Maria Borba Pereira, Ed. FEP, 2009.

9 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 131. ed. 3. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2013. cap. 6, it. 4.

10 ____. ____. cap. 19, it. 7.

11 VIEIRA, Waldo. Seareiros de volta. Diversos autores espirituais. 7. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. cap. Confiemos, servindo.

12 FRANCO, Divaldo P. O Autodescobrimento: uma busca interior. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: Leal, 1995. cap. 2, p. 32.

13 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 131. ed. 3. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2013. cap. 17, it. 3.

14 ____. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 93. ed. 1. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2013. q. 642.

15 REFORMADOR. ano 93, n. 1.761, p. 11(275), dez. 1975. Mensagem Unificação, psicografada por Francisco Cândido Xavier.

16 KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Guillon Ribeiro. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. pt. 2, Constituição do Espiritismo, it. 10, Allan Kardec e a nova constituição.

17 XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. 45. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2013. Breve notícia

18 XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. O espírito da verdade. Por Espíritos diversos. 18. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 1, Problemas do mundo.

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