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2 de janeiro de 2014

Reformador – Edição de Janeiro 2014

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Foi aos 14 de junho de 1914, na Sede Histórica da Federação Espírita Brasileira (FEB), situada na Av. Passos, 30, no Rio de Janeiro, então sob a gestão do presidente Dr. Aristides Spínola (1850-1925) e do vice-presidente Pedro Richard (1858-1914), que se inaugurou a Escola Dominical de Doutrina Cristã, evento a ser comemorado por todo o Movimento Espírita brasileiro, sob as inspirações e bênçãos de Jesus e Ismael. O ensejo foi motivo de grande júbilo para os corações que lá estavam: “[…] o ambiente se achava repleto de crianças desencarnadas, entoando hinos de alegria e de louvor a Deus, ao som de música celestial”.1

Iniciava-se, na Casa de Ismael, para as crianças e, anos mais tarde, para os adolescentes, a grande tarefa da evangelização, que é importantíssima dentre as atividades desenvolvidas pelas instituições espíritas, no afã de prepará-los para receber os ensinamentos sobre os princípios fundamentais do Espiritismo, que lhes permitam compreender e aplicar os conhecimentos doutrinários e a moral evangélica pregada pelo Cristo.

Desde a sua fundação, em 1° de janeiro de 1884, a Federação Espírita Brasileira jamais deixou de pensar nos cuidados com a formação moral da criança e do jovem, apenas aguardava o momento propício de levar a efeito esse nobilíssimo projeto. Considerando que a primeira providência deveria ser a divulgação de livros infantis, a FEB publicou, em 1901, a obra do Espírito Bittencourt Sampaio (1834‑1895): De Jesus para as crianças. O expoente trabalhador da seara do Mestre, entre outras produções espirituais de sua autoria, transmitiu o texto do sugestivo livro, por meio da psicografia do médium Frederico Pereira da Silva Júnior (1858-1914), contribuindo para o êxito do futuro tentame, conforme registros do ano de seu lançamento.2

Entre os servidores que legaram exemplos de perseverança entusiasta e ardorosa em favor da evangelização está Antônio Lima (1864-1946), considerado um dos pioneiros do ensino espírita-cristão à criança no Brasil. Em janeiro de 1904, foi criada uma seção em Reformador, denominada “Diálogos”, onde o autor “desenvolvia sugestivas e atraentes historietas, nos moldes didáticos dos melhores educadores”.3 Antônio Lima, no ano do Centenário Kardequiano, em 31 de dezembro de 1904, proferiu importante conferência sobre a “Educação da Infância sob o ponto de vista espírita”. Em 1915, a FEB publica o seu livro Espiritismo na infância, esgotando-se rapidamente os exemplares.

Em pouco tempo, o movimento iniciado pela Casa de Ismael em 1914 se expandiu para todo o País com a criação de novos agrupamentos de evangelização para a infância, tornando-se a proposta vitoriosa bem como sua colheita de excelentes frutos. “Em meados de 1932, cerca de 50 Grupos, Asilos, Centros, Federações”,4 todos seguidores do modelo de ensino sugerido pela FEB, mantinham aulas de educação moral-cristã desempenhando a abençoada tarefa de formar os futuros espíritas, que haveriam de continuar o trabalho de amor ao próximo entre as criaturas. Os registros históricos, nesse período, apontam uma pequena interrupção no funcionamento do núcleo de evangelização infantil da FEB, sobretudo em função da carência de trabalhadores para execução das tarefas junto às crianças.

Em maio de 1946, o abnegado confrade Dr. Carlos Lomba (1886-1958) assume a direção da Escola de Evangelho, que há muito vinha sendo denominada dessa forma, em substituição ao nome dado anteriormente: Escola Dominical de Doutrina Cristã. O preclaro obreiro, que a meninada carinhosamente chamava “vovô Lomba”, dedicou-se com fervor ao trabalho desse importante setor e, em sua gestão, muitas foram as providências apropriadas para o engrandecimento e a qualidade das atividades que melhor atendessem às necessidades pedagógicas das crianças. Entre elas, o lançamento, em dezembro de 1950, do “Programa de Ensino para as Escolas de Evangelho segundo a Doutrina Espírita”, encaminhado a todas as instituições que ministravam aulas desse gênero, conforme se tinha notícia na ocasião. Nessa época, já funcionava o Departamento de Infância e Juventude (DIJ) da FEB, responsável pela elaboração da proposta, aprovada pelo Conselho Federativo Nacional, a qual recomendava às Sociedades Espíritas que adotassem o referido Programa, como preceituado no item 29, dos “Preceitos Gerais Pró-Unificação do Espiritismo Nacional”. O Programa estabelecia a estrutura e o funcionamento das aulas a serem ministradas, separando as crianças por idades e ciclos.5

Em 1951, “a antiga Escola Dominical de Doutrina Cristã da FEB, que há muito vinha sendo carinhosamente chamada Escola de Evangelho da Federação”, 6 passou a ser denominada “Escola de Evangelho Maria de Nazaré”, constituindo-se em manancial de preciosas oportunidades no trato dos assuntos evangélico-doutrinários da infância e juventude. Com o afastamento do Dr. Lomba, após 9 anos de trabalhos ininterruptos, o grupo da juventude, a partir de 1954, e ao longo dos anos 60, assessorou a Secretaria de Assuntos Infantis, órgão auxiliar do DIJ, colaborando para continuidade dos trabalhos de organização e operacionalização da Escola.6 Nesse período, assume a direção do DIJ o saudoso companheiro Alberto Nogueira da Gama (1918-2003), que se devotou ao serviço com afinco e denodo.

Em dezembro de 1975, reativou-se o Departamento de Infância e Juventude, sendo nomeada como diretora Maria Cecília Paiva Barros (1912‑1995), cargo que ocupou até 1980, quando passou a exercer a vice-presidência da Casa de Ismael. Valiosas foram as contribuições trazidas pela digníssima companheira e seus dedicados auxiliares. Juntos, promoveram encontros e seminários, reunindo representantes do Rio de Janeiro e de outros Estados, constituindo-se em equipes altamente qualificadas para a execução de determinações mais amplas de ações efetivas sobre a evangelização. Ao engajar-se com empenho na Campanha Nacional de Evangelização Espírita Infantojuvenil, divulgada ao público espírita em 9 de outubro de 1977, por determinação do Conselho Federativo Nacional (CFN), Maria Cecília realizou viagens para disseminação de seu lançamento, com vistas ao aprimoramento e a expansão do movimento de evangelização da criança e do adolescente, no Brasil e no exterior.7

Em 1980, assume a direção do Departamento de Infância e Juventude da FEB, a professora Cecília Rocha (1919-2012), insigne educadora e ativa colaboradora, durante muitos anos, do Movimento Espírita do Rio Grande do Sul, seu Estado de nascença. Sua orientação foi decisiva para a organização e o desenvolvimento da implantação e do aperfeiçoamento das escolas de evangelização espírita, no campo Federativo Nacional. Participou do planejamento, da elaboração e do cumprimento da operacionalização da “Campanha de Evangelização Espírita”, da infância e da juventude, no início, ao lado de Maria Cecília Paiva, tornando-se, após alguns anos, “Campanha Permanente”, e difundindo-a em todo território nacional.8 O dinamismo ardoroso em prol da causa da evangelização permitiu-lhe realizar inúmeros eventos como cursos, seminários, encontros nacionais e internacionais, e a formação de equipes de trabalho para a elaboração de planos de aulas e do Currículo para as escolas de evangelização espírita infantojuvenil, com o interesse primordial de sugerir uma metodologia que garantisse a unidade de princípios e de objetivos a serem atingidos pelo programa. Como vice-presidente, de 1983 até março de 2012, nunca deixou de atuar junto à área da evangelização de crianças e adolescentes, contribuindo para a eficiência dos trabalhos realizados na área Federativa e no Campo Experimental de Brasília, auxiliada pela nova diretora, Rute Vieira Ribeiro, que a substituiu, com eficácia e dedicação, na execução das atividades do DIJ, de 1984 a 2009.

Atualmente, Miriam Lúcia H. Masotti Dusi dirige o Departamento de Infância e Juventude que segue os princípios e preceitos determinados no Plano de Evangelização Infantojuvenil da FEB, tendo inserido algumas modificações pedagógicas, adequadas para os dias de hoje.

Não foi possível citar, nominalmente, todos os companheiros, valorosos e perseverantes, que desenvolveram ingentes esforços da primeira hora bem como os que ainda labutam fervorosos em favor da evangelização da infância e da mocidade, inspirados pelos ditames dos planos superiores. As palavras do Espírito Bezerra de Menezes, através do médium Julio Cezar Grandi Ribeiro (1935-1999), convidam-nos a prosseguir, sem esmorecimentos:

[…] Que não haja desânimo nem apressamento, mas, acima de tudo, equilíbrio e amor. Muito amor e devotamento! A Evangelização Espírita Infantojuvenil amplia-se como um sol benfazejo abençoando os campos ao alvorecer. […] Unamo-nos, que a tarefa é de todos nós. Somente a união nos proporciona forças para o cumprimento de nossos serviços, trazendo a fraternidade por lema e a humildade por garantia de êxito.9

Referências:

1. Reformador, ano 69, n. 9, p. 17(209) a 18(210), setembro de 1951, Origem das “Escolas de Evangelho” para a infância

2. WANTUIL, Zêus. (Organizador.) Grandes espíritas do Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. p. 253.

3. Reformador, ano 82, n. 8, p. 11(177) a 14(180), agosto de 1964, A FEB e a criança – 50 anos.

4. Reformador, ano 69, n. 9, p. 17(209) a 18(210), setembro de 1951, Origem das “Escolas de Evangelho” para a infância.

5. Opúsculo do Programa de Ensino para as Escolas de Evangelho. Posfácio de Carlos Lomba. Rio de Janeiro: FEB, s/d. p. 1 a 22.

6. Reformador, ano 82, n. 8, p. 11(177) a 14(180), agosto de 1964, A FEB e a criança – 50 anos.

7. Reformador, ano 113, n. 1.995, p. 34(190) a 35(191), junho de 1995.

8. Reformador, ano 130, n. 2.205, p.32(470) a 33(471), dezembro de 2012.

9. SEPARATA DE REFORMADOR. A evangelização espírita da infância e da juventude na opinião dos espíritos. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1986. p. 17.

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